Capítulo I
A NOVA VISÃO
Estou muito satisfeito por você estar iniciando a leitura deste livro.
Satisfeito, mas também curioso por saber como você chegou até ele.
Terá sido indicação de alguém?
Não importa.
O que importa mesmo é a razão do seu interesse pelo tema e sua expectativa quanto ao que vai ler.
Creio que a razão do seu interesse é algo comum a todos que desejam entender a origem da vida e os mistérios da morte.
Ao longo do texto você terá a exata dimensão do que representa a vida no universo supraluminoso, ou seja, no universo que realmente existe e não pode ser percebido pelos nossos sentidos.
Certamente essa percepção extra-sensorial sempre existiu nas pessoas espiritualizadas, especialmente entre os orientais. A grande novidade de que trata este livro é que nós ocidentais podemos agora, sem violentar nossa racionalidade, assimilar o conceito de uma realidade que transcende nossos sentidos sem que isso implique ter fé ou ser crente.
A ciência nos permite hoje ter a certeza do que somos, de onde viemos e para onde vamos, e isso é muito importante, pois estas dúvidas existenciais sempre nos acompanham, ainda que tenhamos desenvolvido um mecanismo de proteção que afaste as inquietações do cotidiano.
Elas, entretanto, ressurgem com toda sua força quando nos deparamos com situações tais como a morte de algum ente querido, a perspectiva imediata da nossa própria morte, ou as dúvidas que nos assolam quando pretendemos gerar um filho e tememos por sua felicidade num mundo tão conturbado.
Pois bem, hoje já podemos ter certeza sobre o significado do universo material. Podemos entender por que não existe presente, passado e futuro. Podemos nos tranqüilizar quanto à preservação da nossa individualidade após a morte. E em função dessa compreensão, podemos colaborar eficazmente na construção de um mundo melhor.
Parece muito para um livro?
O livro não importa; ele é um simples instrumento através do qual pretendo que você compreenda o que somos, de onde viemos e para onde vamos, e tenha, se é que já não tem, uma correta percepção da realidade em que vivemos e assuma sua parcela de responsabilidade quanto a ela.
Este livro destina-se às pessoas racionais e céticas, abertas ao diálogo para buscarem a compreensão da nossa existência. Em nenhum momento pretendo que você aceite como verdade algo que não possa ser provado racionalmente. Mas, ao mesmo tempo, para que possamos ter êxito nesta caminhada, você deve se comprometer a reconhecer que nossos sentidos possuem limitações, pois é a partir deste reconhecimento que podemos passar a conviver racionalmente com o que é transcendental.
Será pedir muito?
Não creio.
Que expectativa você pode ter a respeito deste livro?
Nas minhas atividades como consultor de organizações costumo lembrar que a informação, ou a resposta a perguntas tais como: quem, quando, onde, qual, quanto, vale “um”. O conhecimento ou a resposta a perguntas que se iniciam pelo como, seguido de um verbo no infinitivo, por exemplo, como agir, como fazer, vale “mil”.
Agora, a compreensão, ou a resposta ao por quê, vale “um milhão”.
Assim sendo, você mesmo irá atribuir o valor a este livro. Se for uma simples informação, valerá muito pouco. Se levar a você conhecimentos, valerá mais. Somente, entretanto, terá significado ler este livro se ele o levar à compreensão das questões existenciais, ou seja, do porquê das coisas.
Este livro busca uma nova visão do mundo em que vivemos e do significado da nossa vida. No momento em que passamos a compreender a realidade objetiva que nos cerca, atribuindo a ela sua verdadeira dimensão, passamos a assumir uma postura completamente diferente da praticada por pessoas que não têm essa percepção.
Um livro somente tem sentido quando a mensagem chega ao leitor e é por ele aproveitada plenamente.
Vou tentar levar a mensagem a você. Vou estimular para que ela gere a compreensão. Prometo que vou me esforçar.
Espero que em contrapartida você faça uma leitura isenta de preconceitos. Que abra sua mente para novas idéias.
Mas, acima de tudo, é importante que você entenda este livro como uma mensagem destinada a despertar você para a reflexão sobre o assunto. Caso os novos princípios gerados pela ciência sejam assimilados por você, sua vida mudará, pois a realidade terá uma nova dimensão.
Vejamos alguns exemplos de realidades que irão assumir esta nova dimensão.
Sentada nas areias da praia, ela observa o cintilar das estrelas e escuta o barulho das ondas.
Acostumada à solidão, escolhera a noite para ir até o mar, pois não queria que outras pessoas olhassem com piedade seu corpo franzino.
Ainda que parecesse criança, era uma mulher.
Sua mente angustiada refletia sobre a injustiça de ter nascido excepcional. Por que tantos eram perfeitos e justamente ela tinha de carregar um corpo deformado.
E depois dizem que Deus é justo!
Rodeado dos netos e bisnetos, seu olhar embaçado percorria lentamente os semblantes que em breve não veria mais.
- Parabéns a você! Muitos anos de vida! Viva o vovô. Viva o bisa!
Seu sorriso constrangido, através as marcas que o tempo deixara no rosto enrugado, tentava dissimular a tristeza que lhe ia na alma.
Tantos já tinham se ido.
Às vezes lhe parecia que estava convivendo com desconhecidos. Eram genros, noras, sobrinhos, namorados, noivas e tanta gente nova, que nem conseguia guardar os nomes.
Este não era mais o seu mundo, mas ao mesmo tempo sentia que eles queriam que continuasse vivendo.
Sabia que o amavam, mas não seria egoísmo deles querer que continuasse vivendo?
- Parabéns a você! Muitos anos de vida!
Para quê? Por quê? Para quem?
O policial branco gritava suas ordens com um olhar cheio de ódio e desprezo.
- Encoste na parede!
- Não se mexa!
Que vergonha!
Por que só revistavam os negros?
Que tipo de sociedade é esta que classifica como bandidos os que são pobres e como espertos os vigaristas de colarinho branco?
Seu crime era viver numa vila, único lugar onde podia morar.
Uma sociedade destas não merece respeito.
Certos estão aqueles que roubam e assaltam, pois se os honestos são tratados como bandidos, o melhor que se tem a fazer é ser bandido mesmo.
Com o olhar esperto e atilado, o deputado escutava a proposta do Presidente.
- Sim, Sr. Presidente, pode contar com meu voto.
Era um soldado do partido.
Claro que seu filho ficaria muito satisfeito se fosse nomeado para aquela empresa estatal.
- Precisamos - dizia o Presidente -prestigiar aqueles que nos apóiam. Se não governarmos com os amigos, não há de ser com os inimigos que iremos governar.
A entrevista estava terminando. Tudo certo. Exatamente como o líder havia antecipado.
Este Presidente é um homem de bem, pensou ele, sabe ser agradecido a seus amigos.
A cabeça dela latejava, pulsava, doía. Como doía!
- Que dor insuportável!
- Um comprimido só não adianta mais - disse ela - falando consigo mesma. Isso não é vida.
Nos últimos anos vinha sendo assim. Na verdade parecia que cada vez estava pior. Não havia uma causa aparente. Já tentara de tudo.
Cada vez que tomava um desses remédios fortes, sentia que isso lhe fazia mal.
Mas....
Suportar a dor era impossível.
Se existisse algo que ajudasse a gente..., pensava ela enquanto engolia um novo comprimido.
Como sempre acontecia, estava novamente acordado, pensando.
- Como é que as coisas chegaram ao ponto em que chegaram?
Não via saída.
Uma concordata seria um horror, mas a falência seria pior.
- Que vergonha!
Agora reconhecia que tinha cometido muitos erros.
Confiara em quem não merecia confiança. Havia se enganado a si mesmo.
- Não. Não adianta buscar outros culpados. Eu decidia sobre tudo e nunca escutei ninguém. Ou fazia de conta que escutava.
Na sua mente passavam episódios relacionados com decisões que haviam dado errado.
Era uma tortura.
Ele mesmo se torturava.
Com grande tristeza e sentindo-se impotente, ele escutou o médico reafirmar:
- Não adianta interná-lo se ele não estiver convencido de que é o melhor para ele.
Sua esposa olhou-o, na busca de uma solução que ele não tinha..
Por que ela esperava que ele sempre tivesse uma solução para tudo?
O filho viciado já representava um peso enorme na sua consciência.
O fato de ser um homem acostumado a tomar decisões tinha feito com que tivesse sido um pai autoritário e protetor.
Até que ponto o autoritarismo dele teria influído para que o filho se drogasse? -pensou, continuando em silêncio.
Agora, dizia o médico, somente o filho podia decidir.
Pela primeira vez assumia importância a vontade do filho.
Sentia-se impotente para encontrar uma solução.
Ele, que era tão poderoso na direção de seus negócios. O homem temido pelos concorrentes. O administrador eficaz e vencedor. Sim, ele mesmo, não podia influir na busca de uma solução para o problema do filho.
Problema do filho, ou problema dele?
Parecia um filme de terror.
A voz do policial comunicando o acidente não lhe saía do ouvido.
Primeiro a surpresa, depois a incredulidade, logo em seguida a certeza de que jamais veria seu filho querido.
Tão jovem. Tão forte. Tão bonito. Tão amigo. Tinha tanto orgulho dele.
Ela olhou para suas mãos trêmulas e pensou que não merecia isso.
Lembrou-se da separação, quando fora trocada por outra mais jovem. Depois a luta para criar os filhos sem pai.
Agora este golpe final.
Melhor seria que ela tivesse morrido.
A morte de uma pessoa idosa a gente aceita com resignação. Mas a de um jovem, com toda uma vida pela frente, isso é insuportável.
- Que Deus é esse que permite isso?
Não pense que este seja um livro de terror, de misérias e casos angustiantes.
As situações relatadas podem não ter nada a ver com você.
Mas como será que você se comportaria ante uma delas?
Ficaria revoltado?
Aceitaria com resignação?
Daria a ela sua verdadeira dimensão?
Este texto se propõe a levar a você uma nova visão do mundo em que vivemos e um novo significado à nossa vida na Terra e, com isso, proporcionar nova dimensão da realidade.
Para assimilar a mensagem você terá de reformular algumas das suas verdades. Sei que isso é difícil, pois tememos muito qualquer alteração nos nossos valores.
Parece que a modificação de um valor pode representar o desabar de toda nossa estrutura de crenças, lançando-nos no terreno nebuloso das incertezas.
Certamente as pessoas que administram bem situações como as descritas e conseguem ser felizes perante as mesmas não necessitam de nada do que este texto possa aportar.
Mas, se de alguma forma, você se identificou com alguma das situações descritas, ou similares, vale a pena repensar sua vida e partir para a busca de novos valores.
Você vai ingressar, agora, num capítulo fundamental, mas bastante difícil. Não procure entender tudo numa primeira leitura. Vá adiante e depois volte quando quiser.
Um livro não é para ser lido como se fosse uma obrigação, contando-se as páginas que faltam. Ele é, simplesmente, o substrato material através do qual o autor procura se comunicar com o leitor. Este encontro deve ser prazeroso. O livro não vai desaparecer, logo não há pressa em se terminar a leitura. Caso um tema lhe chame a atenção, leia antes. O importante é estar interessado no que se lê.