Capítulo II

O UNIVERSO SUPRALUMINOSO
 
Para entender o universo é preciso trabalhar com a idéia de espaço/tempo.

O conceito de velocidade implica um tempo para percorrer determinada distância.

Pois bem, no universo reconhecido por nós, há um limite de velocidade, qual seja a velocidade da luz. Isso nos permite medir grandes distâncias, pois se existe uma velocidade limite, podemos utilizá-la como medida, é o que fazemos quando falamos em "ano-luz" ao nos referirmos às distâncias existentes no universo.

Na verdade, esses são conceitos que dominamos muito bem. Partindo de uma velocidade conhecida, podemos dizer quantos quilômetros percorremos num determinado tempo. Ou, se levamos um determinado tempo para percorrer uma distância, podemos calcular a velocidade utilizada.

Agora vamos imaginar que não exista um limite de velocidade.

Você consegue imaginar isso?

Sei que é difícil, mas faça um esforço. Vou ajudar.

Digamos que nós levemos uma hora de carro para irmos até uma determinada cidade, obedecendo ao limite de velocidade da estrada de 80 quilômetros por hora.

Caso este limite fosse aumentado, digamos que fosse dobrado, levaríamos meia hora.

É evidente, não é?

Até aí tudo bem. Vamos, agora, aumentar o limite em 60 vezes. Levaríamos um minuto para chegar à cidade.

Você aceitou que eu aumentasse o limite em 60 vezes e não reclamou. Ou melhor, pode ter tido alguma dificuldade para imaginar que tipo de veículo vamos utilizar para fazer esse percurso a 4.800 quilômetros por hora.

Mas, a não ser o problema técnico, podemos imaginar que se possa aumentar a velocidade como foi proposto.

Já que estamos no terreno da imaginação, faça um esforço adicional e imagine que pudéssemos atingir uma velocidade sem limite.

Eu ainda não conheço você bem, pois afinal de contas estamos iniciando um diálogo, mas posso imaginar que seja uma pessoa racional, com os pés no chão, e que não esteja disposta a fazer elucubrações destituídas de fundamentos lógicos. Ótimo, eu também sou assim.

Claro, seria bem mais fácil se você fosse muito crédulo e acreditasse em tudo que é publicado. Ou místico.

Vou imaginar que você não seja assim. Obviamente vai ser mais trabalhoso para a gente se entender, mas eu adoro desafios.

Vou provar que você muitas vezes já utilizou uma velocidade sem limite.

Quer apostar?

Não faça isso, pois vai perder.

Digamos que você há alguns anos tenha feito uma viagem a um país distante e da qual guarda ótimas recordações.

Você aceita que isso possa ter acontecido?

Ótimo. Examine a frase anterior e procure uma palavra muito especial que comprova a tese de que você percorre distâncias a uma velocidade muito superior a 4.800 quilômetros por hora.

Encontrou a palavra?

Não encontrou?

É, você não é fácil.

Vou ajudá-lo.

Quando você admitiu que recordava algo, isso significa que você, em imaginação, se deslocou para o local recordado.

É, ou não é?

Você é capaz de recordar os mínimos detalhes, os sentimentos, as pessoas, as cores, e tudo mais. Você "viajou" pela imaginação até uma situação anterior.

Que tempo você levou para chegar lá?

Não sabe, não é?

E nem poderia saber, pois sua recordação foi instantânea. Instantânea, seja em que medida for, é mais rápido que 4.800 quilômetros por hora. E você que está cansado de utilizar a imaginação se rebelou quando eu propus a existência de uma velocidade ilimitada.

Voltando ao caso da nossa cidade para a qual estávamos indo a 4.800 quilômetros por hora, imaginemos que não exista limite de velocidade para irmos até lá ou seja, podemos nos deslocar numa velocidade ilimitada.

Que acontecerá?

Simplesmente chegaremos instantaneamente na cidade, pois sendo a velocidade ilimitada, não haverá tempo de percurso.

Quando a velocidade era limitada, nós tínhamos um passado, que foi quando iniciamos a viagem; um presente, que é o momento em que estamos viajando; e um futuro, que será quando chegarmos lá.

Agora, aceitando a possibilidade de termos uma velocidade sem limite, não existe passado, presente ou futuro.

Tudo é instantâneo.

Medite um pouco sobre isso...

Sei que é difícil aceitar que inexista tempo, pois isso contraria toda nossa maneira de pensar. Vale a pena fazer um esforço. Sua vida mudará totalmente se conseguir entender isso.

O problema é que estamos sempre imaginando um universo constituído exclusivamente de matéria. É claro que existe uma velocidade limite para o deslocamento da matéria.

Mas a matéria é um caso particular, e muita coisa com que convivemos não tem matéria.

É, ou não é assim?

Nossa imaginação não tem matéria. Nossos sentimentos, tampouco. Nossa inteligência, muito menos.

Pense melhor, daqui por diante, antes de ser cético.

Vou aproveitar o fato de você ter ficado um pouco inseguro nas suas certezas e vou propor algo aparentemente mais absurdo.

O que é que você pensaria se eu dissesse que a matéria não existe?

Caso você já tenha lido os livros do Capra, este tipo de afirmação não lhe causará nenhuma estranheza.

Mas se não está familiarizado com o tema, vai pensar que enlouqueci, e corro o risco de você abandonar esta leitura. Não se precipite.

Antes de fazer um julgamento apressado sobre essa afirmação, eu sugiro que você me dê um voto de confiança e continue a leitura. Ou, se preferir, faça uma parada e volte mais tarde.

Você pode dizer que o fato de existir muita coisa que não tem matéria não significa que ela possa ser desconsiderada. Indo um pouco além, você vai, provavelmente, afirmar que aquilo que não é matéria só existe a partir dela, pois se não tivermos um corpo, a imaginação, os sentimentos e a inteligência também não existiriam.

Na verdade, a afirmação correta é a oposta. A matéria só existe porque temos sentidos que detectam sua existência, passando a mensagem para o cérebro.

Caso não tivéssemos os sentidos, ou o cérebro, a matéria não existiria para nós.

Você já pensou nisso?

Como poderia perceber a existência da matéria uma pessoa destituída dos cinco sentidos?

Ou, outra, que tivesse os sentidos, mas o cérebro não funcionasse?

Logo, podemos concluir, racionalmente, como imagino que você goste, e como eu gosto, que a matéria existe para nós a partir dos nossos sentidos e do nosso cérebro.

Eles é que "constituem" a matéria, ou eles é que dão existência a ela. Os sentidos é que dão forma à matéria. É por eles que distinguimos as cores, escutamos os ruídos, sentimos os odores e o gosto, e apalpamos as coisas para sentir sua consistência e textura.

Na verdade, então, o universo que conhecemos, o universo real, como gostamos de dizer, é aquele que é percebido pelos nossos sentidos.

Você certamente concorda com as limitações dos nossos sentidos.

As cores, por exemplo, são distinguidas por nós pelo cumprimento de onda de cada uma, mas a nossa visão é limitada, ou seja, ela só percebe ondas de um comprimento mínimo e máximo, pois as outras não são percebidas. É por esse motivo que a ultravioleta e o infravermelho são reconhecidos como existentes por seus efeitos químicos e térmicos, mas não podem ser vistos.

Como, entretanto, eles são identificados por outros sentidos, nós não temos dúvidas quanto à sua existência.

Pense um pouco junto comigo.

Uma vez que os nossos sentidos são tão limitados, será racional que só aceitemos como real o que é percebido por eles?

Ou você continua tendo dúvidas quanto às limitações dos nossos sentidos?

Vamos recordar mais algumas delas.

Quando você escuta música estereofônica num ambiente apropriado, a música é percebida como se estivesse sendo emitida por um ponto central, que seria o da orquestra geradora dela.

Um espetáculo de raios laser gera uma imagem percebida como estando no ponto de interseção dos raios, ou seja, uma imagem virtual.

Quem diria que a ampliação de um holograma possa reproduzir o todo e não seja um simples aumento de dimensão de uma parte, como ocorre com as figuras convencionais?

Todos nós conhecemos dezenas de exercícios que comprovam a ilusão de ótica.

Como confiar tanto nos nossos sentidos se eles são tão deficientes?

Claro que eles são ótimos. Mas aceitá-los como ótimos não justifica que os idealizemos ao ponto de não podermos considerar suas limitações.

Mas não são somente os sentidos que são limitados.

Nosso processador de informações, ou seja, nosso cérebro é um equipamento limitado.

Somos tão deslumbrados com a maravilha que é nosso sistema de percepção da realidade e com nossa capacidade para processar informações e fazer extrapolações, que esquecemos as limitações.

É natural que isso seja assim, pois comparamos nosso cérebro com os computadores que construímos e seus periféricos e ficamos maravilhados com o que faz a natureza.

Ficar deslumbrado não nos impede de ter o sentido crítico das limitações. Claro, em comparação com o que construímos, nosso cérebro é sensacional. Mas nem por isso deixa de ser limitado.

A limitação do nosso sistema sensorial e de processamento do que é captado por ele faz com que trabalhemos com uma velocidade limite, que é a velocidade da luz.

Veja bem, não é que não exista uma velocidade superior à da luz, e já vimos isso com relação à velocidade da nossa imaginação; o que se passa é que o nosso cérebro só processa até esse limite.

Os computadores que construímos e que imitam o cérebro também têm suas limitações, ainda que nos últimos anos estejamos atingindo velocidades impensáveis cinco anos atrás, ou no ano passado, seja que ano consideremos.

Na verdade, a luz é a velocidade limite para processarmos as informações fornecidas pêlos nossos periféricos, ou seja, nossos sentidos.

O próprio cérebro desconsidera esse limite quando processa informações que não envolvam matéria, como é o caso da nossa imaginação, da inteligência e, mesmo, da invocação da memória. Parece que em realidade o limite de processamento só se aplica aos periféricos, e não à unidade de processamento propriamente dita. Esta, aparentemente, não tem limitações.

Vamos continuar raciocinando juntos. O universo material que percebemos é material por problemas gerados pelas limitações dos nossos sentidos, e nada impede que possamos aceitar um universo não material, mesmo porque convivemos com ele quando se trata de algo que independa da matéria.

Antigamente a aceitação da existência desse universo não material era algo que pertencia ao terreno das coisas espirituais, que dependiam de se ter, ou não, fé.

Dizia-se, então, que somente os que acreditavam em Deus podiam conviver com um universo não material, e tudo ficava no terreno obscuro e pouco racional da crença.

Para os povos orientais a existência desse universo não material era de fácil aceitação, o mesmo já não acontecendo conosco, ocidentais, acostumados ao pensamento racional e científico, dentro do qual se exigem provas para se acreditar.

Possivelmente a brecha que foi aberta no pensamento científico foi estabelecida a partir do momento em que a física passou a acreditar na existência de certas partículas que, pelo cálculo matemático, precisavam existir para que se pudesse reconhecer a existência de algo que era percebido pelos nossos sentidos.

Isso aconteceu tantas vezes que os físicos passaram a confiar nas deduções de seus cálculos, mesmo porque com o avanço dos métodos de prospecção da realidade, muitas coisas previstas foram comprovadas, autorizando que se utilizasse este recurso para ir além do que podia ser objetivamente reconhecido.

Mas não é só na prospecção de novas coisas que a dedução matemática foi útil. Certas verdades aparentemente científicas foram questionadas a partir de observações objetivas que as contradiziam.

A questão de ser a luz o limite possível de velocidade, por exemplo, é clássica nesse sentido. Existe um experimento da física pelo qual se identifica que quando uma partícula é observada e se nota que ela passa a girar no sentido dos ponteiros do relógio, uma outra partícula, instantaneamente, gira ao contrário.

Quando as duas partículas estão próximas, fica fácil de se admitir que uma tenha passado para a outra a mensagem, seja por um sistema de campo magnético ou coisa similar. A instantaneidade da resposta da outra fica racionalmente aceita.

Mas quando se afastam as duas partículas numa distância como de Tóquio a Miami, e se obtém a mesma resposta instantânea, é preciso se admitir que a velocidade de resposta tenha sido superior à velocidade da luz.

Pois bem, pensaram os físicos, se uma partícula pode se comportar desse jeito, por que a gente vai duvidar da possibilidade de alguém vivenciar uma cena que esteja se desenrolando a milhares de quilômetros de distância?

Ou então, por que negar a possibilidade de um gêmeo univitelino sentir uma dor gerada no irmão a, também, milhares de quilômetros de distância?

Gradativamente os físicos foram reconhecendo nos fenômenos místicos aspectos que a ciência estava comprovando. Esta, seguramente, foi uma das grandes conquistas do homem na sua busca para saber quem é, de onde veio e para onde vai.

Hoje, a ciência já admite a existência de um universo supraluminoso, ou seja, onde a velocidade seja infinita, superando-se a barreira da velocidade da luz, que é inerente ao universo que percebemos com nossos sentidos.

Caso você esteja particularmente interessado neste aspecto, sugiro a leitura do livro   L 'Homme superiumineux, de P. Régis Dutheil e Brigitte Dutheil. Esse texto aborda com rara felicidade a questão do universo suspraluminoso.

Neste universo não há passado, presente ou futuro, pois tudo é instantâneo.

Você já pensou no que significa isso?

Não consegue imaginar?

Vamos, juntos novamente, fazer um esforço para entender isso.

Para facilitar esse entendimento, vamos imaginar que o que se passa na Terra seja um filme que, por um mecanismo que ainda não temos disponível, esteja sendo "passado" integralmente, sem que seja sequencial. Um filme que fosse exibido dessa maneira nos permitiria assistir a tudo no mesmo instante, sem ter de esperar que as ações se desenvolvessem numa seqüência.

A literatura especializada em regressões - em especial destaco os livros de Patrick Drouot - refere inúmeros casos em que a pessoa, ao desencarnar, "viu" sua vida toda.

Pessoas que sofreram afogamento e conseguiram sobreviver também relatam algo similar. Para nós "ver" uma vida exige tempo, mas em termos de consciência, inexistindo o fator tempo, isso pode ser feito instantaneamente.

Fica difícil de entender?

Até admito que sim, mas entender como funciona este computador que estou dedilhando também é muito difícil para mim. E isso que é uma máquina simples, feita por um ser semelhante a mim. Imagine-se a dificuldade para entender algo que foge totalmente à nossa realidade objetiva.

Voltemos à questão do nosso filme instantâneo. Para facilitar o entendimento, vou propor um artifício didático. Abandonemos o filme, que é algo que foi gravado, e imaginemos uma cena teatral que esteja sendo apresentada ao ar livre, num determinado lugar. Nós que estamos assistindo ao espetáculo, praticamente vemos o que está se passando no mesmo instante em que a cena se desenrola. Na verdade, há um tempo, que seria o da passagem da luz até que a imagem chegue a nós e até que o
som seja ouvido, mas como isso é muito rápido, costumamos desconsiderar esse lapso de tempo e achamos que estamos assistindo ao espetáculo no mesmo instante em que ele é apresentado.

Digamos, agora, que alguém em Marte esteja observando com um telescópio esse espetáculo. Bem, agora já vamos ter de admitir que haverá uma defasagem de tempo mais significativa entre o instante em que vimos a cena e o momento em que a pessoa em Marte também a assistiu.

Mas, e se não fosse em Marte, que é um planeta próximo a nós, mas sim em uma outra galáxia?

Certamente teríamos alguns anos-luz de atraso para podermos ver a cena. Em outras palavras, mudando-se a distância, a cena fica eterna, pois jamais deixa de estar sendo apresentada.

Façamos agora o movimento contrário. Para assistir o passado, basta que nos desloquemos da Terra o espaço/tempo suficiente para observar o que estava acontecendo num determinado momento. As regressões, pois, nada mais são do que "viagens" que fazemos no espaço para podermos observar o que se passou em tempo anterior.

O que estou afirmando não é o que ocorre na "realidade", mas sim um artifício, para podermos entender.

Na verdade, inexistindo tempo, não há necessidade, nem possibilidade, de buscarmos distanciamentos; basta que nos sintonizemos com o que desejamos vivenciar. Ou seja, nossa "consciência" se fixa no que queremos, e isso basta para que tomemos consciência do que se passou.

Você pode dizer que estou entrando no terreno da ficção científica e fugindo à racionalidade.

Não é assim. Hoje se pode, através de recursos de computação, fazer um filme com um ator já falecido.

Basta recuperar as imagens de filmes anteriores e programar um novo filme. Vai ser um filme como se ele estivesse vivo, ou seja, nós já podemos, através de recursos técnicos, fazer reviver um ator, no sentido de colocá-lo a trabalhar num novo filme.

Isso é tão surpreendente quanto o fato de já dispormo há muitos anos de recursos através dos quais podemos registrar a imagem e o som de pessoas e eproduzi-los, mesmo depois de já terem falecido.

Olhar na tela, ou no vídeo, uma pessoa que já morreu certamente parecerá bruxaria para alguém desacostumado com esses recursos. A mesma reação temos nós ante a possibilidade de fazermos um filme com um ator já falecido, interagindo inclusive com atores vivos.

É bruxaria?

Certamente que não. Em pouco tempo estaremos acostumados com esses recursos e não nos surpreenderá mais.

Se podemos dar vida para alguém que já morreu, no sentido de fazê-lo "participar" de um filme com atores vivos, qual a razão da nossa incredulidade quanto à possibilidade de podermos nos afastar da Terra o suficiente para "observarmos" algo que ocorreu no passado?

As regressões, sobejamente comprovadas, mostram que isso é possível. E como dissemos, é possível mesmo sem termos de nos deslocar para "ver" a cena, bastando nos sintonizarmos com ela.

Creio que já consegui uma sintonia com você no sentido de entender melhor o que estou dizendo.

Por razões didáticas, vou encerrar este capítulo e convidar você para o próximo.

Mas antes de ir adiante eu gostaria que você refletisse um pouco sobre a possibilidade de existir algo mais além do universo que conhecemos.

Não estou, ainda, falando em Deus, eternidade, reencarnação e outros aspectos mais.
Você concorda com a possibilidade de existir um universo diferente daquele que percebemos?

Concorda?

Ótimo, vamos adiante.

Não concorda?

Aceite minhas desculpas por ter feito você perder tempo. Não fui competente para passar minha mensagem.

Não sei se vale a pena você prosseguir lendo este livro.

Quem sabe, você lê o próximo capítulo, e caso eu não consiga passar a mensagem, abandone o livro e entre em contato comigo. Eu gostaria de conhecer seus argumentos.

Faça isso, se for o caso.


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