Ações

Ações para evitar, controlar e reverter o Mal de Parkinson

Certamente que não é agradável termos sintomas que nos identificam como sendo portadores do Mal de Parkinson, mas devemos entender que isso não nos deve apavorar a ponto de desanimarmos, deve ser, isso sim, um desafio que vamos vencer, com a colaboração de profissionais competentes que irão nos ajudar.

Procurar um neurologista é a indicação básica para que ele faça o diagnóstico e nos exponha quais os recursos que se dispõe para enfrentar o problema. Provavelmente o neurologista confirmará que ainda não existe nenhum medicamento que trate a doença, pois sua origem é desconhecida, embora já tenham sido identificadas alterações bioquímicas determinantes dos sintomas, o que permite que se suplemente essas deficiências com drogas aprovadas pelos mecanismos oficias de liberação de medicamentos.  Neste ponto, devemos participar da análise das alternativas disponíveis e nos posicionarmos se queremos, ou não, utilizar essas drogas. Solicite ao neurologista que aponte as vantagens e desvantagens, pois efetivamente ele deverá confirmar que essas drogas não curam o Mal de Parkinson, somente atuam sobre os sintomas o que, podemos entender como algo que não nos interessa, pois tornamos o progresso da doença assintomático, e perdemos o controle sobre sua evolução. Solicite, também, informações sobre se gradativamente poderemos ir diminuindo a ingestão dessas drogas, o que significaria que elas estavam agindo beneficamente sobre as causas, ou se temos de aumentar as doses, demonstrando que as causas seguem existindo e o único resultado que estamos obtendo é reduzir os sintomas.  Pergunte, ainda, se poderemos ter de chegar a uma dose tão alta que tenhamos de suspender a droga, com conseqüências facilmente imagináveis, mesmo porque ela própria determinará sintomas semelhantes aos que estava combatendo.  Discuta bem isso, pois é importante, a final de contas não adianta “resolver” um problema atual, criando uma situação lastimável para o futuro.

No meu caso pessoal, optei por não tomar essas drogas e partir para um controle da evolução da doença e, no caso, da involução, pois estou conseguindo não só controlar os sintomas como recuperar outras disfunções que antecederam o aparecimento desses sintomas, o que entendo como ótimo e promissor. Assim sendo, estou recuperando avisos sob forma de dor, já que meu sistema neurológico tinha perdido essa capacidade, e durante os últimos 15 anos, equivocadamente tinha me congratulado por não ter mais dores de cabeça e nem enxaquecas, quando deveria ter percebido que isso era um sinal de degeneração neurológica e não uma vantagem obtida por ter uma vida tranqüila e sadia. Também minha capacidade olfativa vinha se deteriorando gradativamente nos últimos dez anos, e somente agora estou conseguindo recuperar, principalmente quando acordo pela manhã, já que ao  longo do dia ela vai diminuindo, mas isso será plenamente corrigido com a volta das minhas funções neurológicas, em boa hora alertadas suas deteriorações pelos sintomas motores. 


Mas não pense que o neurologista seja o único profissional que pode nos ajudar.  Como o Mal de Parkinson não tem uma causa definida teremos de revisar todos aspectos relacionados com nossa saúde que possam ter, de uma forma, se não direta, ao menos predisponente, atuado para que a sintomatologia tenha se manifestado.  No meu caso, identifiquei que a ingestão de açúcar estava me fazendo muito mal, e foi fácil chegar a essa conclusão, uma vez que já tinha substituído o sal por temperos, substituído alimentos fritos por grelhados, não tomava bebidas destiladas e nem refrigerantes, (só água, sucos, cerveja e vinho), não comia carne de animais abatidos em situação traumática e nem de animais criados artificialmente, ou seja, tinha uma alimentação sadia.


Precisamos considerar, também, a influência do nosso sistema psíquico sobre o Mal de Parkinson. Tenho recebido dezenas de relatos de companheiros e companheiras parkinsonian(os)as, e de familiares, vinculando o aparecimento dos sintomas a uma situação psicológica traumática tal como a perda de um ente querido, uma separação de uma relação estável, perda de emprego, prejuízos materiais, etc etc.  No meu caso, felizmente, não estou presentemente enfrentando nada parecido, mas já enfrentei, e deve ter ocasionado prejuízos que agora estou sentindo com o aparecimento dos sintomas motores.  O que importa é que as causas psicológicas podem ser coadjuvantes do aparecimento dos sintomas o que nos induz a considerar a importância de darmos atenção a este aspecto, seja consultando um profissional competente, como também, usufruindo as vantagens decorrentes de práticas que nos proporcionam relaxamento e mentalização positiva.


Seria ótimo, também, conseguir atendimento por um profissional que tenha uma visão holística da saúde, algo que não é muito fácil, pois a tendência é a especialização, mas vale a pena tentar. O que não podemos fazer é nos envolver com charlatões que se aproveitam do problema para ter vantagens financeiras diretas ou indiretas.  Atividade profissional deve ser exercida por quem tenha se preparado para prestá-la.  Promessas mirabolantes e exóticas devem ser avaliadas com grande cautela.  Não podemos, entretanto, desprezar alternativas naturais, inseridas dentro de uma lógica que reconheçamos como valida e desvinculadas de qualquer interesse financeiro.  Devemos, também, ver com cautela mecanismos de apoio vinculados a atividades industriais de produção de drogas, pois sabidamente os interesses econômicos deturpam as informações e nos levam a um consumismo vinculado à geração de lucros, e prejudicial à nossa saúde.


Finalmente, precisamos nos agrupar em mecanismos que nos permitam a troca de informações entre nós portadores do Mal de Parkinson, quanto maior e melhor forem esses mecanismos, maiores serão as possibilidades de vencermos esse  desafio.